A dor do excesso: porque fazer escolhas está mais difícil e como podemos ajudar?

Se a abundância é a regra, ajudar a escolher é uma missão subvalorizada
Rodrigo dos Reis
May 23, 2024

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Para muito do que consumimos, a quantidade de escolhas possíveis cada vez é mais um fator de ansiedade ou paralisia do que de prazer.  

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O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?

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No streaming, muitos de nós passamos mais tempo procurando o que de fato vamos assistir do que assistindo algo. Nos apps de entrega de comida, os mais indecisos estão desmaiando de fome quando finalmente a comida chega, porque ficam paralisados diante de tantas possibilidades. Nos apps de relacionamento, talvez o exemplo mais emblemático de como mais alternativas não necessariamente trazem mais realização ou o match perfeito, a frustração é tão disseminada (hello, ensh*ttification) que tem muita gente procurando outras formas de conhecer gente.

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Isso que nos três casos, existem algoritmos de recomendação poderosos que são partes muito importantes do que é o produto em cada um deles, mas existe uma enormidade de contextos de compra em que não é possível usar um recurso como esse, seja uma compra muito pontual a um canal não digital controlado por terceiros.  

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A gente acha que quer abundância - até que o excesso de alternativas nos deixe paralisados ou constantemente insatisfeitos por acharmos que poderíamos ter feitos escolhas melhores. O Paradoxo da Escolha, escrito em 2004 por Barry Schwartz, nos explica que, por mais que autonomia e liberdade de escolha sejam críticas para nosso bem estar, ter alternativas demais é mais problema do que solução e aprofunda bastante a discussão sobre esse assunto.

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Com a abundância de alternativas sendo cada vez mais regra do que exceção quando o assunto é consumo, a consequência é que o trabalho de ajudar as pessoas a escolher é uma tarefa fundamental que muitas marcas ainda subestimam. Vamos discutir alguns caminhos possíveis?

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Curadoria pode ajudar, mas quem faz precisa entender quem usa em profundidade

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A resposta óbvia é curadoria, mas o desafio é a execução. O próprio mercado de influência digital se construiu ao redor da ideia de recomendação de alguém que parece próximo e confiável. Mas com o crescimento, os maiores influenciadores são cada vez mais relegados à posição de geradores de conhecimento de marca, porque falam com públicos amplos demais para que se crie proximidade ou identificação. Ou seja, cada vez mais parecidos com os velhos e conhecidos endossos de celebridade, que tem suas próprias limitações - alguém acredita que a Xuxa usava Monange? Alguns sugerem que o “remédio” é trabalhar com produtores de conteúdo de menor alcance para que essa proximidade e consequentemente a confiança seja possível, mas a verdade é que na maior parte dos casos as recomendações que mais contam são as das pessoas que fato nos conhecem. A legitimidade da recomendação é proporcional ao entendimento do contexto de quem a recebe.

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Enxugar portfólio

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No auge da era das marcas de venda direta (dtc), o enxugamento ou simplificação radical dos portfólios decolou como estratégia em categorias em que a dor da escolha é uma das maiores da jornada, por exemplo em colchões.

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Emma, Zissou, Casper, todas têm portfólios muito mais enxutos e com descrições menos técnicas do que as marcas da velha guarda. Nos eletrônicos de consumo, a Apple ainda se destaca pela simplicidade das linhas em um mar de produtos com nomes estilo sopa de letrinhas em que é necessário ler e entender as especificações para saber como diferem.

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Esse é um caminho que faz sentido especialmente em categorias em que os compradores se vêem obrigados a aprender aspectos técnicos nos quais não necessariamente tem interesse e em produtos de maior desembolso e chance de arrependimento (eletrônicos de consumo, linha branca, móveis planejados, etc.).

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Nas categorias em que o processo de escolha é complicado e demorado, o boca a boca e, consequentemente a recomendação de amigos e conhecidos tem um peso ainda maior. Investir em não frustrar as expectativas de possíveis recomendadores é possivelmente um dos investimentos em comunicação mais eficazes que se pode fazer. O que nos traz para...

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Gerenciar expectativas

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Se satisfação é a distância entre expectativa e realidade, nossa capacidade de balizar as expectativas antes da venda são diretamente relacionadas com como nossa entrega vai ser recebida pelo cliente.

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Os japoneses são mestres nisso. Além de existir uma obrigação legal de representar os produtos de forma proporcional e verdadeira nas embalagens é muito comum que em restaurantes tenham mockups dos pratos e cardápios com fotos detalhadas, acabando com as frustrações clássicas envolvendo o tamanho da porção ou não ser o que o cliente imaginava.

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A cena icônica de Michael Douglas surtando na lanchonete em “Um dia de fúria” jamais aconteceria no Japão.

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Cena da lanchonete de “Um dia de fúria”

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Além disso, em produtos que envolvem paladar, é muito comum que sejam usados gráficos de radar com as características do sabor - tudo para quem compra saiba o que esperar.

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Tangibilizar benefícios pelo ponto de vista deles e vender o resultado, não o recurso

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Nosso 'JOTA Talks' sobre Jobs-to-be-Done (JTBD) | by Mariana ...

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Essa imagem viralizou no Linkedin inúmeras vezes e já é um clichê em alguns círculos, B2B e SaaS em particular - por um bom motivo.

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Um dos problemas de vender o recurso e não o resultado é que a gente assume que, primeiro, o comprador entende o recurso, segundo, que se importa, e terceiro, que acredita que vai fazer diferença no resultado que ele está buscando.

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Em linha com a ideia de que vender não é empurrar o produto, mas sim ajudar os interessados a comprarem, se você não sabe (de verdade) onde seu cliente quer ir, por que você quer acha que ele vai deixar sua marca guiá-lo até lá?

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Expor sua própria oferta de forma comparativa

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Sabe aquelas matrizes de recursos com diferentes planos que as empresas SaaS sempre usam na página com os preços? Elas se aplicam a muitas outras circunstâncias. Abaixo, a Western Rise, uma marca de roupas masculinas especialista em viajantes, explica as diferenças entre suas calças de um jeito que seria impossível entender só pelas fotos ou descrições individuais:

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Se eu sou um cliente possível da Insider Store, como eu sei se a camiseta Tech, a Daily ou a Sportee faz mais sentido para mim, se nunca comprei e não consigo experimentar sem comprar?

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Se uma dúvida ou pergunta desvia a jornada, forçando a pessoa a uma busca no YouTube, TikTok ou outro canal em que ela veja uma opinião de terceiros, a marca já perdeu o controle da narrativa e já se arrisca a ser comparada com outras - por que abrir esse espaço?

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Em linhas de produtos mais amplas ou que podem competir entre si, essas comparações deveriam ser a regra, pelo menos para evitar dúvidas dentro do oferecido pela marca. Não explicar características com clareza é chance perdida de upsell e, no online, sem vendedores e com uma experiência sensorial limitada, tudo que tangibilize os aspectos físicos e sensoriais é bem vindo. Quer diminuir devoluções e trocas, subir satisfação e potencializar recomendações? Esse pode ser um caminho.

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Seus clientes não são obrigados a saber avaliar qualidades técnicas (e se eles sabem, chances são de que sua marca já esteja sendo comparado diretamente com outras). Falando em atributos técnicos...  

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O óbvio muitas vezes precisa ser dito

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Um dos ruídos mais comuns no entendimento que as empresas tem dos humanos do lado de fora é sobreestimar tanto interesse quanto o repertório sobre categorias e marcas. Quem trabalha com tintas sabe a diferença exata entre acetinado, fosco e semi fosco e os usos ideais de cada um deles. Quem trabalha no têxtil sabe a diferença entre um french terry e um flanelado. Dá para entender - se a gente passa o dia inteiro falando do mesmo assunto, acabamos tomando nosso próprio referencial como regra.

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O problema é assumir que seus possíveis compradores, potencialmente marinheiros de primeira viagem, já conhecem as tecnicalidades ou deixá-los descobrirem por um terceiro qualquer, ou pior, através de um concorrente. Ensinar pode ser parte fundamental processo de construção de confiança.

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A forma com que você apresenta sua oferta hoje facilita ou atrapalha as escolhas dos seus compradores?

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Na Zeitgeist, já trabalhamos com todo o tipo de produtos e serviços complexos, de medicações neurológicas à serviços B2B bastante especializados e temos bastante experiência em criar pontes entre as necessidades e expectativas das pessoas e o que a sua marca é capaz de oferecer. Tem um desafio parecido? Fale com a gente.